Remover pigmentos de uma micropigmentação mal sucedida é possível

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Saiba quais os procedimentos existentes no mercado, se atente às especializações disponíveis e aos cuidados pré, durante e pós procedimento para ter sucesso


(Foto: iStock)

Corrigir as pequenas falhas ou valorizar traços continuam ganhando, cada vez mais, espaço nas clínicas de estética e uma das técnicas que auxiliam nesse processo é a micropigmentação. Mas, como em todo procedimento definitivo, pode haver arrependimento ou vontade de alguma alteração por parte da cliente e muitas acabam voltando aos espaços de beleza com o objetivo de corrigir ou remover o trabalho anterior.

De acordo com Eliana Giaretta, vice-presidente da Associação Brasileira de Micropigmentadores, são, principalmente, alguns erros que fazem as clientes irem atrás de ajuda. “Elas buscam conserto para procedimentos que deram errado, como, por exemplo, o desenho fora do formato natural; exageros no tamanho, na espessura e volume; além da cor que, ás vezes, não é favorável e extremamente carregada”, afirma.

Para esses incidentes listados por Eliana é possível realizar a correção, mas a especialista reforça que é preciso alinhar a expectativa do cliente com o que é necessário e poderá ser feito. “Geralmente, a expectativa do cliente é por falta de conhecimento técnico. Eles acham que somos como um “apagador” e que iremos resolver 100% do que foi feito e, infelizmente, não é assim”, diz. Eliana comenta ainda que para um resultado mais eficaz é necessário expertise do profissional e muita paciência do cliente. “É preciso tempo até que se consiga fazer um novo trabalho, sempre respeitando o período necessário para a revitalização da pele entre uma sessão e outra”.

É importante ter em mente que, geralmente quem busca por um método de retirada de pigmento está com a autoestima comprometida. Segundo Eliana, é comum relatos de pessoas que evitam sair de casa depois que fez o procedimento. Sendo assim, separar horários especiais para essa cliente e ser sincero na fala sobre resultados são os principais pontos para um bom atendimento. “Todas nos reportam porque querem a remoção total do trabalho comprometido, então se faz necessário muita explicação e paciência para que o cliente compreenda o que pode ser feito para melhorar o aspecto inicial do problema”, resume.

(Foto: iStock)

Métodos para a remoção
Desde o boom das maquiagens definitivas e a consequente insatisfação das pessoas que se submeteram ao procedimento depois de algum tempo até essa onda de micropigmentação que vem tomando conta de espaços de beleza e sendo realizada, muitas vezes, por profissionais sem prática, o mercado vem buscando alternativas de correção para a técnica.

Vale reforçar que a remoção de pigmentos não significa realizar um processo inverso ao da micropigmentação; é necessário prática e habilidade para a obtenção de bons resultados. É por isso que Graziella Borges, micropigmentadora, reforça a necessidade de conhecimento e cita que, no caso do uso de lasers, por exemplo, não é apenas saber manusear o equipamento que faz o profissional apto para aquela função. “Não se pode aplicar um laser da noite para o dia, é preciso estudar e estar atento às regras da Anvisa”, diz.

Laser – Com uma eficácia mais amparada tecnologicamente, o laser atua já na primeira sessão. O aparelho age como um fragmentador do pigmento e o organismo tende a eliminá-lo depois, entre 30 dias. É um procedimento um pouco dolorido para o cliente, mas que acontece de forma rápida. “O laser atua de forma segura, se falarmos do Nd-YAG (tecnologia que trabalha com duplo comprimento de ondas), ele não queima a pele e nem enfraquece os pelos”, disse Eliana.

Despigmentação química – o método é parecido com o peeling convencional e a técnica alia o uso do dermógrafo com um ácido, que são aplicados no local pigmentado. O micropigmentador Diego Guimarães relata que esse é um método mais demorado. “É um procedimento que necessita de conversa com o paciente, pois uma vez que ele começa com o ácido, precisará de cuidados durante e pós-procedimento”, ressalta.

(Foto: Arquivo Pessoal – Eliana Giaretta)

Por ser um tratamento que demanda um pouco mais de cuidado, Diego reforça a necessidade de proteger os olhos, respeitar o tempo de cicatrização de cada paciente e ter atenção redobrada para a assepsia, além de outros cuidados. “Eu não faço o procedimento em grávidas por conta do produto. Outro ponto que é preciso estar atento é se a pele está em alto relevo ou com alguma queloide e informar o cliente que não é possível realizar esse procedimento”, disse Diego. Nestes casos, o expert sugere encaminhar o cliente a um dermatologista para que trate a pele para que depois volte e faça o procedimento.

Elétrica – A despigmentação elétrica segue as mesmas indicações do laser, mas tem grau de dor médio e sua eficácia vai depender de vários fatores. “Ela é feita por aparelhos que cauterizam a pele obrigando a regeneração celular e, consequentemente, o pigmento irá clareando aos poucos”, explica Eliana.

Além das técnicas citadas, a salina é outra opção, porém não é um procedimento usual e já está caindo em desuso. Isso porque o procedimento é uma combinação de sal marinho com soro fisiológico e a pele é arranhada para receber a mistura. A micropigmentadora Graziella alerta que o processo desidrata a pele e pode acabar danificando a área. “Se a pele não está preparada ou hidratada o suficiente pode, facilmente, ser machucada”, enfatiza.

(Foto: Arquivo Pessoal – Eliana Giaretta)

Independentemente do procedimento escolhido, Eliana Giaretta acredita que é possível ter sucesso e que isso depende de fatores como, tipo de pele, acompanhamento no pós-procedimento por um profissional, histórico do paciente, entre eles, tempo da micropigmentação, quantidade de retoques e profundidade da tinta. “Tudo deve ser investigado pelo profissional, que deverá anotar e protocolar todas as sessões, também com fotos, para que a evolução seja acompanhada”, reforçou Eliana. Para ela, o ideal ao iniciar um método de correção é fazer sessões de despigmentação de acordo com a necessidade de cada cliente; e sessões de neutralização da cor restante, já que o que sobrou nem sempre é a cor castanha. “Nessa etapa, redesenhamos o projeto e camuflamos os erros excedentes que não queremos”, afirma.

Ainda sobre a correção, a vice-presidente da Associação Brasileira de Micropigmentadores sugere sessões de camuflagem para apagar os erros excedentes da despigmentação. Esse processo deve ser feito com pigmentos que imitam o tom da pele. “Vale lembrar que essa área deve ser pequena para não ficar tão aparente”, explica.

Quem pode aplicar as técnicas?
Para trabalhar com as técnicas de despigmentação são necessárias especializações na área. Quem faz micropigmentação nem sempre está apto a fazer o trabalho inverso. Eliana explica que, para cada técnica é necessário muito estudo e formação específica. “É preciso um conhecimento bem embasado. Se o profissional optar pelo ácido, por exemplo, precisa ser especialista em ácidos, na aplicação, na regeneração e o que ele causa na pele, além de conhecimentos home care”. Já para o laser, a micropigmentadora diz que é preciso saber como escolher e operar o laser. Esses módulos não são ensinados em cursos básicos da área e são destinados a profissionais que já tem uma carreira profissional. “Você vai trabalhar com remoção e conserto, então é preciso saber tudo sobre pele, cicatrização, como o pigmento clareia e conhecimentos de avaliação”, explica Eliana Giaretta.

 

Por Isabela Lessak

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