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Pós-NRF da Beauty Fair aborda insights traduzidos para as perfumarias

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Tecnologia, arquitetura de negócios e o mercado de beleza também foram discutidos ao longo do evento

Cesar Tsukuda fez a abertura do evento e também falou sobre o mercado de beleza

Na manhã desta terça-feira (04), em São Paulo, a Beauty Fair promoveu mais uma edição do Pós-NRF. O evento, que reuniu cerca de 500 participantes entre proprietários e gestores de perfumarias, representantes da indústria e outros convidados, tem como objetivo o compartilhamento de informações. “O Pós-NRF é para quem não pôde estar com a gente em Nova York, mas que pode melhorar o dia a dia do seu negócio com o conhecimento que oferecemos aqui. Para nós, de nada adianta ter dados e informações se não compartilharmos esse conteúdo em prol do desenvolvimento do setor de beleza”, reforçou Marie Suzuki Fujisawa, gerente de relações institucionais e educação da Beauty Fair.

Entre os assuntos vistos ao longo da manhã estavam tecnologia, abordado por Grasiela Tesser; arquitetura de negócios por Julio Takano, que foi o responsável pela curadoria dos modelos de varejo americano durante a viagem da Delegação Beauty Fair aos Estados Unidos; e Cesar Tsukuda, gerente-geral da Beauty Fair, que fez um panorama dos insights voltado para o mercado de beleza brasileiro. Quem também abordou tendências da NRF foi o especialista em varejo Eduardo Terra, que traduziu os conceitos para o varejo de perfumaria. “O objetivo do evento não é só conhecimento, mas trazer provocações. Desenvolver o setor não é só treinamento, é sair daqui incomodado, no bom sentido da palavra”, disse Terra.

Eduardo Terra apresentou seis insights da NRF

Confira, a seguir, um resumo dos seis insights apresentados pelo especialista:

Disrupção é tornar aquilo que existia antes obsoleto. Um bom exemplo é a mídia e o entretenimento; eles precisam se reinventar rápido. A Globo era quem detinha todo o poder de mídia há uns anos e faturava milhões com anúncios. Hoje, o Google fatura mais que a Globo no Brasil e ainda tem gente que acha que não é interessante investir em mídia digital. Outro exemplo é o Carrefour que, há 10 anos, tinha a segunda maior operação do mundo da companhia na China. Com o tempo as operações foram caindo até que, há seis meses, venderam a companhia no País. Atualmente, a China é o único lugar do mundo onde o varejo já passou pela disrupção.

Personalização não é customização de produto. É personalizar a relação que sua empresa tem com cliente por meio da comunicação e oferta. Para isso, você pode utilizar o CRM e o marketing. Pense que todo mundo está no smartphone, mas isso não quer dizer que a loja física não possa fazer parte desse processo. Você já imaginou em implantar uma câmera de identificação que diz quem entrou, quem está na sua loja e, assim, oferecer algo personalizado para esse cliente? A Amazon, por exemplo, personaliza em escala brutal. Na hora que você acessa o site, eles já sabem quem você é e montam uma loja ideal para você, com suas preferências. E mais: monta um e-mail marketing com ofertas específicas pra você. E esses são apenas exemplos. Você precisa criar iniciativas de personalização para cada cliente e você precisa de tecnologia para conseguir isso.

Tecnologias exponenciais são lideradas pela Inteligência Artificial, um dos temas que mais foi visto na NRF. Sobre essa tendência, é importante que o proprietário ou gestor entenda que já foi o tempo que a tecnologia era algo distante. Hoje, ela está cada vez mais acessível e o próximo passo é entendê-las. Dado pelo dado não vale nada; é preciso saber como extrair e usar esses dados para que ele vire tomada de decisão. Chegou o momento que é fundamental dar atenção aos dados. Temos até uma lei, a LPGD, que vai exigir isso. Em breve, chegaremos a um campo perigoso e polêmico, que é o das emoções. A máquina será configurada para aprender com as emoções. Já imaginou você estar em um momento triste e o Spotify, por exemplo, “perceber” o seu humor e tocar uma seleção de músicas específicas para esse seu momento? Isso vai acontecer.

O novo papel da loja no mundo de e-commerce, aplicativos e Instagram é diferente. A loja física não desempenha o mesmo papel que tinha há 20 anos, mas continua sendo fundamental. Seja na China, nos Estados Unidos ou no Brasil. Já se falou que a loja física estava com os dias contados, mas a discussão, hoje, não é sua existência, mas qual o seu papel no mundo atual. É preciso ter integração com o digital, usar os dados, oferecer experiência, ser produtiva e, principalmente, tirar o atrito dela. Hoje em dia já é possível cobrar um cliente sem precisar que ele pegue uma fila, que é o principal ponto de atrito para um cliente. A loja nova precisa repensar o que é importante para ela, qual tipo de dado deseja captar e se ele irá gerar resultado. Se o seu cliente visita sua loja por causa da experiência, mas no final, não leva nada e compra em outro lugar, é preciso verificar onde está o problema.

O varejo do futuro traz uma evolução de modelos de negócio. O que sua loja tem que fazer em relação aos market places? Deve estar lá? Não? Que tipo de relação você quer ter com ele? Na verdade, o que é market place? O que é plataforma? O que é ecossistema? O varejo do futuro traz a evolução de modelos de negócios e você precisa saber o que deseja para se adequar. O ativo estratégico neste caso não é ser varejo. O Alibaba, por exemplo, é tecnologia. A Amazon é outro exemplo; como varejista tem mais problema do que solução. Mas, como market place ganha dinheiro e está crescendo no Brasil. Quando se compra do market place e do aplicativo, quem é que fez a venda? O market place ou a empresa? O que vale é sempre ser o dono do cliente.

Os desafios da liderança em um mundo com tanta transformação deve ser bem definido. Não dá pra não entender de tecnologia, por exemplo. O varejo antes era low tech. Ou seja, pouco intensivo e bastava ter um funcionário que entendesse de tecnologia e pronto. Hoje, o dono da empresa é quem deve entender de tecnologia, pois o varejo se tornou intensivo nessa questão. Se você não entender de tecnologia, não entenderá o primeiro tópico de discussão da NRF, que é a disrupção. A cultura de uma empresa nunca foi tão importante e o desafio é proteger, sim, o legado, mas ainda assim se transformar. É uma agenda de adicionar, de “E”, e não de escolhas, de OU. Tenha em mente que cultura e propósito sempre engajam gente.

Indústria e varejo de perfumaria debateram colaboração no último painel do evento

Por Redação
Fotos: Diego Marcos

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