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Luciangela Arantes: uma história de superação

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A hairstylist de Guaíra, interior de São Paulo, celebra a melhor fase de sua vida após encarar um drama familiar e uma deficiência física. Inspire-se!


Superação significa a ação de estar acima, de sobressair-se, dominar e vencer. Essa palavra cheia de significados é o fio condutor da história de Luciangela Arantes. Nascida em uma família humilde de Guaíra, interior de São Paulo, a hairstylist de 41 anos, já dedica 23 primaveras à área da beleza. “Sempre estive envolvida com esse mundo, pois minha mãe vendia produtos para ajudar na renda familiar. Aos nove anos de idade fiz um curso de maquiagem; mais tarde, aos 16, engravidei e me casei antes mesmo de concluir o ensino médio. Esse fato, somado às dificuldades financeiras, impossibilitaram que eu ingressasse em uma universidade, então, novamente, a beleza se fez presente na minha vida como uma saída. Incentivada pela minha mãe, comecei a fazer as unhas de parentes e amigas em domicílio para sustentar minha família”, relembra.

A demanda de serviços e o número de clientes cresceram e fizeram com que Luciangela sentisse a necessidade de ampliar sua área de atuação. “Inicialmente eu ia às casas apenas para fazer unhas, mas as clientes pediam penteados, depilação, corte, cor, maquiagem. Foi quando me matriculei no Senac para me especializar e, desde então, nunca mais parei de me atualizar”, resumiu a profissional que coleciona, só de certificações internacionais, mais de 15 no currículo.

Reviravolta
As habilidades de Luciangela se tornou popular em Guaíra e região e para atender a demanda optou por montar um pequeno salão em sua própria casa, onde atuou por sete anos. “Quando completei 10 anos de carreira bem-sucedida no salão, finalmente iria embarcar para a minha primeira formação internacional na academia Alfaparf Mahogany, na Inglaterra. Mas antes de ir aconteceu algo que mudaria minha vida para sempre. Eu e minha família sofremos um acidente de carro em uma rodovia. Nesse ocorrido, meu marido faleceu nos meus braços e eu tive a minha mão esquerda completamente dilacerada”, disse Luciangela, que passou um longo período hospitalizada realizando procedimentos cirúrgicos para recuperar a mão.

“Durante 30 dias internada, fiz cirurgias quase que diárias para que eu não perdesse a minha mão e não tivesse complicações mais sérias, afinal rompi vasos sanguíneos e ligamentos importantes. O primeiro milagre foi não ter perdido a mão, porque passei por três hospitais logo que fui socorrida e, nos três, os médicos amputariam meu braço. Só no quarto hospital que fui levada, especializado em ortopedia, que o diagnóstico foi mais animador, mas o médico sempre me lembrava que eu poderia não voltar a trabalhar e, por um momento, eu achei que não daria mesmo”, conta.

Foi o poder da fé que mudou o pensamento e a vida da profissional. “Durante esse período no hospital, cheguei literalmente ao fundo do poço. Eu não pude sequer me despedir da pessoa que mais amava na vida. Eu era alucinada pelo meu marido e achava que iria morrer sem ele. Mas os amigos e familiares alimentaram muito meu lado espiritual com passagens bíblicas, livros, vídeos e, aos poucos, Deus foi me dando uma força muito grande, mesmo diante de tanto sofrimento. Vivi um encontro muito particular e profundo com Deus durante esse tempo. Tão profundo que apenas 20 dias após a minha alta eu voltei a trabalhar”, partilhou.

Redescobrindo um ofício
Ao sair do hospital, Luciangela superou todos os obstáculos da deficiência física e, de cara, desenvolveu uma técnica para atender suas clientes. “A verdade é que não tive muito tempo para pensar que minha condição atual era de deficiente. As clientes continuaram marcando horário comigo porque confiavam no meu trabalho e eu só pensava que precisava criar três filhos sozinha. Chorei muito quando a primeira cliente sentou na minha cadeira, mas encarei. Eu dividia toda extensão da cabeça de acordo com o corte e fazia o apoio para cortar com o pente, pois não tenho os dedos. No início, as minhas assistentes seguravam o cabelo e eu cortava, hoje faço tudo sozinha. Conclui que é o cérebro que executa todas as nossas atividades, não as mãos. Meu trabalho é o mesmo só que feito de maneira diferente. Eu faria bem o que faço até sem os dois braços!”, afirma.

Reconhecimento em rede nacional
Proprietária do salão Espaço Mulher, em Guaíra, Luciangela superou os desafios físicos e foi além. Em 2018, ela foi a segunda colocada do reality Duelo de Salões, exibido pela Record News. “Eu nunca imaginei chegar onde cheguei. Sempre estudei muito e fiz questão de oferecer o melhor para minhas clientes, em todos os sentidos. Mas quando falavam que eu era boa, vez ou outra, eu achava que era porque a pessoa era minha amiga ou tinha receio de falar a verdade. Eu queria ser avaliada por pessoas que não me conheciam. Fiz um curso do Paulo Persil, em São Paulo, e ele me deu a dica de me inscrever no reality”, resumiu.

“Cheguei a São Paulo para a primeira seletiva e eu tinha que desbancar 12 mil profissionais só da região Sudeste. Para mim era certo que não ia chegar nem perto de ser selecionada para a próxima fase. Fiz a prova, fui avaliada como eu queria, que pra mim já era o prêmio por estar ali. Ao final do dia, fui selecionada junto com mais quatro participantes. Fui vivendo o reality e fiquei em segundo lugar. Pra mim, eu venci, porque nunca esperei tanto e nunca vivi tantas experiências e desafios maravilhosos. Hoje, olho para trás e só agradeço por cada detalhe da minha vida. Meu marido preparou os caminhos para ele ir embora e para que eu pudesse conseguir viver sem ele e Deus tomou conta de mim. Vivo milagres pessoais e profissionais diariamente. Tenho filhos incríveis, tenho uma vida próspera, faço cursos fora do Brasil e todos os dias sou presenteada com coisas boas”, finalizou Luciangela que, no último mês de novembro, participou do grupo da Beauty Fair Trip, e viajou para Milão e Bolonha, na Itália, para conhecer tendências e conquistar mais um certificado internacional.

Por Janaína Alves
Fotos: Arquivo pessoal

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