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Gestão: uma teoria para se colocar em prática

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Palestrantes do Fórum de Gestores de Salões de Beleza Beauty Fair compartilharam informações, dados e dicas para auxiliar o público presente no dia a dia de seu negócio

A atualização é uma das formas que muitos encontram para melhorar a rotina de seu negócio. No entanto, só buscar soluções e não colocar ações em prática para obter resultados invalidam qualquer tipo de conhecimento que se tenha. E foi para levar informação e orientações sobre como, de fato, melhorar o negócio, que o Fórum de Gestores de Salões de Beleza Beauty Fair foi realizado na última semana de junho.

Proprietários e gestores de diversos espaços de beleza estiveram reunidos em um dia intenso de conhecimento e puderam levar para o seu dia a dia mais do que atualização, mas novas perspectivas para um setor que não para de crescer, mesmo em meio a dificuldades econômicas e políticas. “No Brasil, há mais de 1 milhão de salões de beleza. Temos poder e responsabilidade de saber como conduzir o mercado. A base, o fundamento do salão é o cliente. Ele é a razão e deve estar no centro. Vence o jogo quem sabe lidar com a informação e a transforma para usá-la a favor do seu negócio”, disse Cesar Tsukuda, diretor-superintendente da Beauty Fair, que abriu o ciclo de palestras falando sobre “O Futuro dos Salões de Beleza”.

Relacionamento, propósito, pessoas, eficiência e crise também foram assuntos abordados pelo executivo. “O setor de beleza mexe com o bem-estar, a autoestima. É um dos últimos a entrar em crise e o primeiro a sair. É na crise que se busca eficiência, mas não esperem a crise para isso”, ressaltou. Confira alguns trechos importantes do evento para gestores e aproveite para participar de mais um evento com foco em gestão, o Seminário de Gestão de Negócios de Beleza, que acontecerá no dia 09 de setembro, durante a Beauty Fair, clicando aqui!

Cesar Tsukuda, diretor-superintendente da Beauty Fair .

Gestão Financeira

“As pessoas colocam custos pessoais como custos operacionais do salão”. Foi assim que Edson Machado Filho, coordenador do Hubs, do IBMEC, começou sua apresentação e ressaltou que antes de transformar processos, é preciso transformar pessoas, deixando claro que o empresário precisa saber separar o que é custo do salão, o que é custo pessoal e, assim, ter uma melhor gestão do estabelecimento.

Aliás, Edson reforçou que gestão começa com gente e que é preciso conhecer o cliente, seu produto e mercado para ter sucesso. Criar empatia, se colocar no lugar de quem está ali e ter vontade de aprender também são questões consideradas essenciais por ele. Atualizar o seu banco de dados; saber quantos são ativos – e fazer ações para levá-los novamente para o salão –; ter um controle efetivo do estoque para não ter prejuízos; saber quanto custa cada serviço para conseguir rentabilizá-lo; quantificar o que se gasta para saber qual preço colocar foram apenas algumas das dicas dadas pelo profissional.

Edson Machado Filho, coordenador do Hubs, do IBMEC

Bate-papo
Karina Melo, gerente de marketing digital da Beauty Fair, mediou um bate-papo entre gestores e empresas voltadas para o negócio de beleza. Rodrigo Lima, Marcos Torres, Osny Gamba Jr., Marinaldo Oliveira e Luciana compartilharam conhecimento e diversas situações com o público do Fórum de Gestores.

Segundo Rodrigo Lima, quando contrataram um call center para fazer agendamentos do salão, os horários nunca batiam, tudo dava errado, mas era porque estava fora do salão. Por isso começou a utilizar uma ferramenta que oferece, além de agendamento, relatórios para entender o que é ou não lucrativo, aumentar a taxa de retorno do cliente, entre outras melhorias. “Usem os sistemas que vocês têm e coloque todos os dados no sistema”, deu a dica.


Estratégia também foi o tópico abordado por Osny, da Granito. “Não é benefício só para o salão, mas também para quem é cliente do salão, que precisa ter e reter clientes”, pontuou.
Já uso da tecnologia foi o que Marinaldo Oliveira, da Barbearia Bar, reforçou, assim como Marcos Torres, do sistema Graces. “É preciso instruir os funcionários para que o sistema funcione, pois as pessoas têm o sistema, mas não o utiliza ou não imputam os dados da forma correta”, disse.
Falta de gestão é um dos grandes problemas dos salões, reforçou Luciana , da 3.2.1 Beauty. “Muitos salões quebram porque não sabem fazer gestão, ou porque não tinha cliente ou um profissional bom. Relacionamento também é parte importante e você usar as informações para tomada de decisão traz assertividade”, finalizou.

Bate-papo com gestores de salões de beleza

Lei Salão-Parceiro
O tema, às vezes, se torna polêmico, mas uma coisa é certa: não dá para não se atualizar nem deixar de se adequar à lei que veio para trazer segurança tanto para profissionais quanto para salões. E, durante mesa redonda, Achiles Cavallo, advogado tributarista, reforçou que sem a lei, muitos salões eram cobrados pelo valor total arrecadado. “A receita não é única, é parte do profissional e parte do salão. A lei vem para ajudar não só na questão tributária, mas na regulamentação da profissão e a esgotar as reclamações trabalhistas”, enfatizou durante seu discurso.

José Augusto Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Salões de Beleza, a ABSB, comentou que antes da lei, não era possível ter MEI trabalhando no salão. “Já temos mais de 30 mil salões aplicando a lei e 700 mil MEI e esse é um dos ganhos em relação à lei. Sem falar que antes o salão de beleza não era recomendado ao empreendedorismo”, lembrou. Márcio Michelasi, presidente do Sindicato Pró-Beleza, e Luis Bigonha, presidente do Sindibeleza, também participaram do bate-papo e contribuíram com dados e informações afim de auxiliar o entendimento dos presentes sobre a lei.

José Augusto Ribeiro, presidente da ABSB; Achiles Cavallo, advogado tributarista; Márcio Michelasi, presidente do Sindicato Pró-Beleza, e Luis Bigonha, presidente do Sindibeleza

Inteligência sistêmica
Décio Fábio de Oliveira, especialista em abordagem sistêmica familiar, e Gustavo Nakanishi, diretor executivo do Grupo Nakanishi, em bate-papo mediado por Marie Suzuki Fujisawa, gerente de relações institucionais e educação da Beauty Fair, falaram sobre direito de pertencer, respeito, gratidão e transformação do processo de gestão com o objetivo de aproximar gestores e colaboradores.
Gustavo revelou que, na gestão da rede Helio Diff, havia falta de entendimento entre os gestores e de clareza sobre a função de cada um na organização, fazendo com que os funcionários também não se sentissem seguros.

Outro ponto destacado por ele é que, para os gestores, o posicionamento da empresa estava claro, mas só na cabeça deles. “O endomarketing não era bom. O humano, antes mesmo de ser líder, precisa criar confiança e engajar os profissionais parceiros”, reforçou.
Décio também comentou que em empresas que passam por sucessão familiar, é comum os sucessores se acharem mais donos do que aqueles que fundaram a empresa e acabarem desrespeitando os valores da organização. Ou seja, redobrar a atenção e ter um especialista como consultor são sempre boas opções.

Décio Fábio de Oliveira, especialista em abordagem sistêmica familiar

Comportamento do consumidor
Patricia Sant’Anna, fundadora da Tendere, falou sobre a transformação que estamos vivendo, padrões de beleza, entre outras tendências, com o objetivo de ajudar o gestor a entender o momento atual e, por consequência, entender o comportamento do consumidor de hoje em dia. “O futuro não é grande ruptura, é transição. Geralmente não estamos vendo essa transição porque estamos vivendo ela. Hoje, por exemplo, os padrões de beleza que antes eram vistos como exóticos, são cada vez mais comuns”, disse. Ela destacou ainda, cada vez mais, a presença da Ásia e África como lançadores de tendências.

Patricia Sant’Anna, fundadora da Tendere

Engajamento de colaboradores
Para falar como as empresas trabalham a relação entre marca e colaborador, nada melhor do que representantes de dois grandes nomes da área, Studio W e Jacques Janine. A rede que tem Rosângela Barchetta como sócia-proprietária foi representada pela gestora e pelo hairstylist Fabio Pugliesi. Já o Jacques Janine marcou presença através de sua fundadora Janine Goossens e o cabeleireiro Sandro Dessou.

Esse time de peso abordou diferenças entre a realidade do salão antigamente e nos dias atuais, falou sobre a importância da tecnologia e redes sociais na divulgação da marca e do profissional, entre outras questões relevantes no dia a dia de uma parceria entre empresa e colaborador. “Hoje o profissional tem uma ferramenta poderosa. Ele faz o trabalho, tira foto e isso pode aparecer em qualquer lugar do mundo. É eficaz. E é atrás de facilidades como essa, que damos poder, que empoderamos nossos profissionais”, disse Janine. Rosângela, por sua vez, acrescentou que, além do digital, é preciso ter cuidado e atenção, já que as relações humanas são mais importantes.

Rosângela Barchetta e Fabio Pugliesi (Studio W) ; Sandro Dessou e Janine Goossens (Jacques Janine)

Excelência em serviços e vendas
Inspirado pelo modelo de negócio da Disney, Rodrigo Maruxo, especialista em Bussiness Excellence,  acredita que todo aquele que está à frente de um negócio, seja oferecendo produtos ou serviços, deve se preocupar constantemente com o encantamento oferecido ao cliente. “Foi o Wall Disney que inventou o conceito de experiência. Quando ninguém sequer cogitada nada sobre o assunto, esse homem, que era um gênio, identificou que o cérebro gravava seus últimos sentimentos, por isso, as emoções deviam sempre ser positivas. Então, desde sempre, a Disney vende lucro emocional. Reparem que, diariamente, a Disney fecha em alta. Eles terminam o dia com desfile, fogos e magia. Então, cada vez que seu cliente pisar no seu salão, para ele, deve ser uma ida à Disney. Vocês devem proporcionar experiências felizes, agradáveis e fechar o atendimento em alta”, ensinou Maruxo.

O consultor partilhou ainda o conceito de palco e bastidor, trabalhado nos processos operacionais da gigante americana. “Magia nada mais é do que processo e muito treinamento. É importante para qualquer empresa primeiro contratar pessoas que partilhem dos mesmos ideias de seus fundadores, além disso, ter normas, protocolos partilhados com todos os funcionários, independente se fazem coisas diferentes. Isso é conceito de palco e bastidor. Seu salão pode ter todo o problema do mundo, mas na frente do cliente, a experiência precisa ser mantida e isso só acontece com treinamento e uma gestão alinhada”, finalizou.

Rodrigo Maruxo, especialista em Bussiness Excellence

Viagem intelectual
Para encerrar o dia, o historiador Leandro Karnal trouxe um bloco leve e divertido para os gestores analisarem seu negócio, baseado no comportamento e escolhas do dia a dia. ” Os animais têm uma condição que não permite que eles façam escolhas, nós temos o poder de fazer escolhas, várias delas. Pequenas ou grandes, determinantes ou tolas, nós temos o poder de escolher e isso é muito poderoso, mas tenho um recado para vocês: Você não é Deus! Isso é algo que lembrarei vocês durante toda a nossa conversa”, analisou Karnal.

“Você será um sucesso pelo talento ou pelo esforço? Fiquem com essa questão. O esforço é determinante para toda pessoa bem sucedida, obviamente há disposições que fogem do nosso controle, mas o esforço é fundamental. Crenças mágicas podem até ser bonitas, mas não nos levam a lugar algum. Atribuir o sucesso do ano na cor da roupa, no amuleto ou na folha de louro na carteira, normalmente costuma ser hábitos de pessoas fracassadas. Então cuidado! Pessoas bem sucedidas levantam cedo, planejam e correm atrás!”, encerrou o historiador.

Leandro Karnal

Por Redação
Fotos: Talita Garcia e Diego Marcos

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