Início NOTÍCIAS Beauty Fair na Itália Exportação: o que você precisa saber para levar sua marca à solos...

Exportação: o que você precisa saber para levar sua marca à solos estrangeiros

0
7929

Por Lucas Cury, consultor para internacionalização de empresas e comércio exterior

Você já ouviu falar que quando a gente quer abraçar o mundo, a gente acaba não abraçando nada? Isso faz ainda mais sentido quando falamos de exportação. O primeiro passo para começar a exportar é definir o seu foco de atuação. E o foco de atuação é escolher o País ou o mercado onde você deseja atuar. É importante ter em mente que um público é diferente do outro. O consumidor da Colômbia não é o mesmo dos Estados Unidos; muda a cultura, muda a percepção de marca e produto.

O passo seguinte é a parte regulatória, que é a definição de mix de exportação. O que eu vejo é muita empresa falando que deseja exportar a linha inteira, mas além de não adiantar, vai custar muito dinheiro. Se falarmos de uma linha de cosmético, e se você tiver 100 SKUs, cada um deles precisará ser revisto; fórmula, embalagem, percepção de mercado. E isso custa muito dinheiro. Sem falar que nem sempre todos os produtos serão bem aceitos. Um cliente, por exemplo, exportava um produto que era campeão de vendas no Brasil, mas não funcionava no mundo árabe, principalmente no Egito. Era um shampoo, mas a água utilizada no Egito é diferente da utilizada no Brasil. Então, o resultado que o produto trazia para o cliente era diferente. Ele mexia em fórmula e não entendia porque o produto não era bem aceito. Ele percebeu que o cabelo era diferente, mas não era só o cabelo. Era o cabelo e a água usada. Só depois que ele entendeu isso e que as coisas começaram a dar certo.

Pequenos detalhes
Não se trata de pensar só no consumidor, mas como ele se comporta com o produto, como ele o utiliza. Se você parar para pensar, a forma como o brasileiro e o europeu dirige um carro é diferente, mesmo que o carro seja o mesmo. Então, uma vez que você consegue definir o seu mix de exportação, qual é o foco de mercado, ou seja, seu mercado-alvo, a gente entra na parte regulatória, que é olhar embalagem, informações, registros aduaneiros e sanitários do produto.

Cada País segue uma norma e é preciso fazer um estudo sobre a legislação. Existe uma instrução normativa de 2009 que determina quais são os pré-requisitos para você entrar na comunidade europeia. Em linhas básicas é você ter um registro no CPNP (Cosmetic Product Notification Portal) e, dentro desse portal, ter todas as fichas do produto e os documentos que você precisa para comprovar a legalidade. Lembrando que a comunidade europeia é uma comunidade, não um País. Ela tem uma régua mínima, o que não quer dizer que em outro País ela te exija mais.

Você precisa seguir todos os requisitos. Se você quer vender na comunidade europeia inteira, tem que lembrar que há países onde se fala inglês, mas também tem francês, alemão, italiano. E cada País tem as exigências de rotulação, os regulatórios de consumo; você tem que olhar o de marca, o sanitário e o regulatório de consumidor; o que está escrito, o tamanho da letra, o idioma, as instruções de uso e cada País tem uma regra específica. Hoje, os países já tentam criar um consenso e são muito parecidos, mas você tem que olhar. Se você quer vender na Itália: fale com um órgão de lá e também da comunidade europeia.

Todo cuidado é pouco
Tivemos o caso de um cliente que veio até à Cosmoprof participar e, no segundo dia de estande, a polícia mandou bloquear todo o uso da marca porque a marca da empresa brasileira era registrada por uma empresa polonesa e ele não consultou a marca antes. E, nesse dia, na mesma feira, a marca polonesa também estava lá.

Se você denuncia uma marca e tem o registro, eles são obrigados a tirar toda a identidade visual onde conste a marca; os catálogos são rasgados, o estande censurado. Este caso foi uma coincidência, só tinha o mesmo nome, mas deu um conflito de marca. Não existe um registro internacional, mas se você está registrado na comunidade europeia, você tem preferência de registro em alguns países.

Teve outro caso de uma marca que veio para a feira e encontrou uma marca registrada do produto dele. Aí foi um plágio. Você se preocupar com a rede de marca é necessário, senão amanhã você pode ter uma dor de cabeça.

Posicionamento
Muitos empresários brasileiros têm a seguinte linha de raciocínio: se no Brasil vende um produto a R$20, converte esse valor em euro e vai vender nos outros países e não é assim simples. Esse preço convertido, às vezes pode estar muito barato ou muito caro.
Você precisa ter uma lista de preço, mesmo que seja genérica, mas precisa ter, além de tradução de rótulos. Entre os pré-requisitos que a gente indica tem um dossiê de documentos necessários, que são regulatórios para ter. Ter esse dossiê internacional é importante. É sempre necessário fazer um estudo, pesquisar.

O mesmo vale para quando você tem que definir o seu mercado alvo. Quer vender pra Bolívia e nunca foi pra Bolívia? Vai. Quer vender na França, vai pra França. Qual seu ponto de venda? Farmácia? Vai para a farmácia. É salão? Vai para o salão. Tem que fazer a lição de casa. Tem que investir e tudo isso tem um custo.

O Brasil no exterior
As empresas brasileiras ainda estão engatinhando. O Sebrae, CNI e outras entidades fazem um trabalho de conscientização, algumas rodadas de adequação e isso é extremamente necessário. É importante, antes de um evento como a Cosmoprof, por exemplo, sentar e ver qual sua maturidade de exportação porque, às vezes, uma empresa que é grande no Brasil e nunca colocou o pé fora, só é forte no Brasil porque o mercado brasileiro não é igual ao europeu. Você tem que entender que é preciso se adequar. Acho que ainda falta essa educação exportadora aos empresários.

Vejo inúmeras empresas que, para começar a exportar, demoraram dois anos. Vai para uma feira, visita cliente, negocia. O empresário tem que saber começar do nada; este é um mercado árduo e grande e o Brasil tem um potencial enorme porque é muito bem visto no mundo inteiro. Mas é preciso saber se posicionar. A beleza da mulher brasileira ajuda nisso e o diferencial da biodiversidade, sem dúvida, ajuda.

Fotos: iStock

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!