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Beauty Fair 2018: Revolução digital e cognitiva é alternativa para o Brasil

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O macroeconomista Octavio de Barros apontou dados e perspectivas da política e economia brasileira durante Fórum do Varejo de Beleza Beauty Fair. Saiba mais!


O Brasil enfrenta um período conturbado na política e na economia. Seja empregado ou empresário, todos estão sujeitos às mesmas incertezas com relação aos investimentos e direcionamento de projetos, por isso é tão importante ter uma visão geral do que está acontecendo no País. E foi isso que Octavio de Barros, macroeconomista, fez durante o Fórum do Varejo de Beleza Beauty Fair, no dia 7 de setembro, em São Paulo. A seguir, você confere os principais apontamentos feitos pelo macroeconomista, que inclui um panorama da economia e política mundial e as alternativas para tirar o Brasil da crise. Acompanhe!

Globalização
O especialista iniciou o assunto falando sobre as mudanças ocorridas no processo de globalização e os impactos disso no mundo. “Há 30 anos, a globalização era uma e não tem nada a ver com a de agora. Hoje dependemos cada vez menos de custos. Antigamente, os negócios eram verticalizados e agora são horizontais. A territorialidade está perdendo o sentindo. Hoje, a globalização é a expressão da tecnologia”, pontuou.

Economia da experiência
O avanço tecnológico aperfeiçoou o tempo, a qualidade e a eficiência na produção e nas relações. Com isso, houve uma transversalização das atividades econômicas, declínio do core business, surgimento de novos negócios e novas experiências de consumo. “A minha geração foi educada para resolver problemas, mas essa geração atual está sendo educada para achar problemas. Vivemos uma transição no mundo inteiro. Hoje não precisamos ter carros, precisamos usar carros. Não precisamos ter casas, precisamos usar casas. Não precisamos ter um banco para chamar de nosso, usamos serviços bancários. A marca do capitalismo atual no mundo todo é a economia da experiência. Os consumidores privilegiam a experiência atrelada aos produtos e serviços do que os próprios produtos e serviços”, analisou.

Amazon Effect
Octavio de Barros ainda discutiu sobre a expansão de um novo modelo de mercado, o Amazon Effect. “O atual fluxo global de dados não tem mais limites e há uma grande concentração de capital no mundo. A Amazon, por exemplo, está devastando o varejo americano. Uma empresa que começou vendendo livros e CDs, hoje, vale um trilhão de dólares. Vivemos o Amazon Effect e, tenho pra mim, que essa experiência é que vai marcar o futuro das atividades comerciais”.

Brasil em pauta
O macroeconomista ainda abordou a atual situação do País e algumas soluções para reverter o quadro de recessão. “O Brasil é muito grande para quebrar de vez, mas é fato que precisamos de reformas duras e estruturadas. O próximo presidente precisa fazer cortes sérios de gastos já na largada do governo. Nos meus 37 anos como macroeconomista afirmo que, se o próximo presidente não fizer a reforma da previdência logo no primeiro ano de mandato, ele não chega a concluir os quatro anos de governo”, afirmou.

O economista acredita que a revolução digital e cognitiva é o caminho para tirar o Brasil do limbo. “Temos que incitar o aumento da produtividade em todos os setores. O Brasil precisa entrar de cabeça nessa reforma digital e cognitiva, pois já reduz custos por si só. O caminho é também a queda das barreiras comerciais, o País precisa se abrir, e as empresas deficientes não poderão mais contar com subsídios do governo até porque o dinheiro acabou. As empresas que não aderirem à revolução e aumentarem a produtividade vão morrer. Sem produtividade não há riqueza a ser distribuída, isso é fato! Dizemos que o brasileiro trabalha muito, mas a nossa produtividade é só 17% da produtividade do trabalhador americano”.

A reforma da previdência também foi colocada em pauta como solução para o Brasil. “O orçamento da União virou um balcão de pagamentos. O Brasil é um País jovem que gasta o mesmo com a previdência do que o Japão que é um País velho e com uma economia estável, em proporção de PIB. E, além disso, nós temos o maior gasto com previdência de funcionários públicos do mundo. Teremos que trocar o pneu com o carro em movimento”.

O especialista concluiu a análise sobre o Brasil falando sobre a situação dos principais setores. “O setor agrícola é o que vai melhor. O de serviços também vai muito bem. O consumo das famílias vai crescer mais do que o crescimento do PIB. Já o crescimento do varejo é restrito, a minha previsão é de um crescimento de apenas 3%. O desemprego vai continuar no Brasil. Nós vivemos em contradição, pois temos 12% de desempregados, mas, ao mesmo tempo, falta mão de obra em vários setores. Cerca de 23% dos jovens não trabalham nem estudam. O Brasil ficará velho e pobre”, disse.

Eleições 2018
Antes de finalizar, Barros fez algumas análises sobre as eleições de 2018 no Brasil. “O presidente ideal não existe. O Brasil precisa de alguém que una o País. Não vim fazer boca de urna para ninguém, peguei os estudos dos melhores analistas políticos do Brasil e estou compartilhando com vocês. E vou simplificar: o câmbio aprecia a eleição de Geraldo Alckmin ou Marina Silva, pois eles passam segurança. No dia seguinte da eleição de qualquer um desses dois candidatos, o câmbio já cai para R$3,60 e a tendência é diminuir mais com o tempo. Já Ciro Gomes, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro carregam a cruz da instabilidade, fazendo com que o câmbio se mantenha alto ou até aumente”, finalizou.

Por Janaína Alves
Fotos: Talita Garcia

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